Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

"Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra"



O homem que, segundo o Génesis (4, 1), conhece uma mulher, a sua esposa, é aquele que se distingue verdadeiramente dos outros seres vivos, pois foi pessoa pensada e criada por Deus, e que através do amor conjugal mergulha em algo de maravilhoso que Deus ofereceu ao homem e à mulher: a união de ambos, num amor semelhante ao amor que no Antigo Testamento é o símbolo da união de Deus com o seu Povo.


A Bíblia faz o elogio do corpo da mulher, da maternidade. E esta tem um significado efectivamente divino. Veja-se a primeira mulher, que disse: "Gerei um homem com o auxílio do Senhor" (Génesis 4, 1).

Com efeito, a Vida é um dom de Deus. Que infidelidade rejeitar a oferta d’Este!

São Lucas (1, 26-38) leva-me a imaginar a voz certamente suave de Maria (só os pastorinhos de Fátima tiveram a felicidade de a ouvir…e nem todos aliás...), quando Ela respondeu ao Anjo Gabriel:

"Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra".

O Anjo do Senhor disse-lhe: "Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho".

Quem dera a muitos de nós que merecêssemos, em algum momento da nossa vida, aquelas palavras plenas de Graça: olha, vais ter um filho, vão ter um filho!

Bem vindo ele seria!

Não compreendo, pois, toda esta cultura de morte instalada no nosso País.

Não compreendo que se rejeite uma dádiva tão grande!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

A Vida amarelecida...




Recebo, regularmente, de livreiros, catálogos de livros antigos sobre literatura, política, história.

Como hoje. E, ao ver livros amarelecidos pelo tempo, datados do ano em que nasci (como a gravura que aqui coloco, do Vitorino Nemésio – “O Pão e a Culpa”), penso como a nossa vida é breve e não chega para realizarmos todos os nossos sonhos.

Será que estou também como estas folhas, algo esmaecidas pelo tempo, testemunhas de uma passagem inexorável pelas estações do ano, as quais, indiferentes às nossas angústias, nos apontam, ao longe, a finitude do nosso ser?

Este tempo de chuva e nuvens carregadas não ajudam à alegria da Alma, e levam-na para paragens mais sombrias, onde reside o Medo que nos assombra, mas Medo esse que não é tanto por nós, mas sobretudo por aqueles que amamos e que são o sol do nosso quotidiano.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Por uma cultura da Vida!


Portugal necessita, antes do mais, de uma política de fomento da natalidade e de real apoio à maternidade, com um Código do Trabalho mais “amigo” da mãe trabalhadora, e não de políticas que visam precisamente desígnios contrários, e que são reflexo da tão falada “cultura da morte” que, nesta Europa, que já foi verdadeiramente cristã, se vai espalhando como uma peste negra…


Hoje, em Lisboa, Caminhada pela Vida!


Aqui:

http://www.caminhadapelavida.org/

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A velha questão da Moral e do Direito…



Nestes (loucos) dias que correm, perante nós, perplexos que estamos pela irracionalidade dos homens, convém lembrar uma reflexão de Abraham Lincoln:

“Não vos esqueçais que o que é justo do ponto de vista legal, pode não o ser do ponto de vista moral”.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Somos Insubstituíveis!


Estava eu de volta do contencioso administrativo e, ao mesmo tempo, pensando nos tempos conturbados que aí estão perante nós, homens perplexos pelo grau de complexidade que a nossa sociedade tomou. E lembrei-me, como sempre, do "meu" Marcello Caetano. Cada um de nós é insubstituível e, quem disser o contrário, mente.
Como faz falta um espírito disciplinado rigoroso e honesto neste nosso Portugal de hoje!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Eugénio de Andrade, Poeta do Amor.


Eugénio de Andrade nasceu a 19 Janeiro de 1923.

Neste preciso dia, aqui deixo este seu poema, muito na linha de um José Gomes Ferreira.
Com eles, aprendi, de algum modo, a transfigurar a dura realidade de anos de chumbo em poesia…


Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

(Os amantes sem dinheiro)

A DITADURA DO DIREITO SOBRE OS AFECTOS!


"Parir é dor, criar é amor" diz o povo.

O caso do Sargento Luís Gomes vem provar "à saciedade" duas coisas: que a Justiça Portuguesa está muito mal, conduzida por Juízes e Procuradores incapazes, sem qualquer percepção da realidade que os circunda, preocupados que estão em apenas aplicar cegamente a lei. São positivistas no pior sentido do termo.

Será um trauma para a criança abandonar a família que conheceu. Mas tal não comove os Juízes (?!) Fernanda Ventura, José Joaquim Carneiro e Sílvia Rosa Pires, que decidiram aplicar uma pena de prisão àquele por “sequestro” da criança. Se não fosse trágico, dava vontade de rir uma tal decisão. Com direito a “reprovação” na cadeira de Direito Penal em qualquer Faculdade de Direito...


Todo o processo que está subjacente a este caso é inacreditável: Como é possível que o sistema judicial possa aniquilar a vida de uma criança, entregue a quem verdadeiramente a ama e cuida, e a salvou de uma vida de miséria? Estamos perante um caso verdadeiramente kafkiano! Sobretudo após termos assistido, nos últimos tempos, a tantos casos de crianças martirizadas pelas famílias biológicas!

Aqueles magistrados, com a sua actuação, revelaram que não têm perfil para desempenharem as funções para as quais foram nomeados, pois não possuem qualquer capacidade de interpretarem a lei de forma criadora, a fim de a poderem aplicar aos casos concretos, salvaguardando o valor que está subjacente naquela: a vida das crianças. É o mínimo que se exige de um jurista!

Honra seja feita àqueles que, neste País, e apesar de perseguidos por uma caricatura de Justiça, ainda se preocupam com as crianças e as recolhem da miséria das ruas!

Nota: Hoje, dia 22 Janeiro, na RTP 1 – no programa “PRÓS E CONTRAS” vamos ouvir a Drª Dulce Rocha, a qual vai, certamente, por a nu todos os podres do julgamento (?) de Luís Gomes, o Sargento que se recusou a entregar a sua Esmeralda a um desconhecido…

O Tribunal Judicial de Torres Novas foi palco, com efeito, de um julgamento que esteve sob a batuta de Fernanda Ventura a qual, ao que parece, até rasgou a partitura… pena que não possa aqui colocar uns factos relativos a essa senhora…mas talvez, logo à noite, se venha a saber alguma coisa (não muita certamente, que há factos que não se podem dizer em público, até por uma questão de decoro…).

domingo, 14 de janeiro de 2007

As Bodas de Caná: Ontem e Hoje.



Hoje, Domingo, o Evangelho de São João (um dos Apóstolos mais íntimos de Jesus) fala-nos de um dos episódios mais belos da vida de Jesus, que me toca profundamente: a Sua preocupação (e de Sua Mãe, Maria), para com os noivos que, subitamente, ficaram sem vinho para oferecer aos convivas.

Este episódio revela muito acerca da doçura e bondade d’Aqueles. Sabemos bem como o vinho, ainda hoje, é um elemento vital numa festa… E como é belo imaginarmos, há dois mil anos, Maria e Jesus, convidados para um casamento, nessa terra hoje tão martirizada...

Diga-se que a cidade de Qana-al-Jalil, que fica a 85 quilómetros de Beirute, é para os libaneses o local das "Bodas de Caná". Como prova, os libaneses apontam uma gruta, onde Jesus teria descansado, e em cujas rochas estão esculpidas figuras humanas. Para Israel, todavia, o local mencionado no Evangelho de São João situa-se numa cidade com o mesmo nome na Galiléia, próxima de Nazaré, onde Jesus passou a infância.

As pesquisas dos arqueólogos e estudiosos dos textos bíblicos apontam a tese israelita como a mais correcta... mas o que importa agora é nós pensarmos que naquela zona do Mundo, naquela porção de terra, na qual os cristãos são, hoje, tão perseguidos, caminharam Jesus e Sua Mãe. Numa Caná, pobre hoje como há dois mil anos, mas tão rica de significado...

Foi precisamente nas bodas de Caná que Jesus Cristo, pela sua presença, estabeleceu o sacramento do matrimónio.

Muito curioso, porém, é o assinalar, através dos textos apócrifos, que São Judas Tadeu, um dos Apóstolos, teria sido esposo precisamente nestas núpcias de Caná; tal explicaria a presença de Maria e de Jesus.

Belo, não é verdade?

Note-se que Judas Tadeu era parente consanguíneo (primo) de Jesus. Nasceu na Galiléia e seu pai era, na verdade, irmão de São José. Sua mãe, Maria Cleófas, era prima de Maria Santíssima…

Mas, voltando às nossas Bodas, atente-se que, na Bíblia, vale dizer, na Palavra de Deus, faz-se um paralelismo entre o casamento de um homem com uma mulher, e a relação que existe entre Deus e a Humanidade. Veja-se o “Cântico dos Cânticos”, o qual é uma parábola acerca do amor de Deus por Israel, a sua amada…

O que aqui releva, ao apaixonado por Jesus e Maria, é a sensibilidade, a delicadeza de Maria, que se comoveu perante a perturbação daqueles noivos, e a quem ela se apressou a socorrer, implorando ao Seu Filho um milagre, o primeiro, mesmo que ainda não tivesse chegado a Sua hora…

Maria, na sua imensa bondade, “apressou” a manifestação do Seu Filho. Mas Ele quis também demonstrar que o Seu primeiro milagre público ocorreu por causa do pedido de Sua Mãe. Assim, Jesus quer-nos dizer que intervém por intercessão da Virgem Maria, Aquela que está acima de todos os Santos e Anjos do Céu.

Ela é o caminho que conduz a Jesus…

Nota: "As bodas de Caná", de Paolo Veronese - óleo sobre tela; pintado em 1563

"Acolher a vida como um dom de Deus"


D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, na celebração a que presidiu na manhã de Sábado, em Fátima, nas “Jornadas pela Vida”, afirmou que “o aborto é sintoma de um mal-estar mais profundo de cultura e de civilização, da própria sociedade”.

Com efeito, trata-se de uma questão de cultura e de civilização. Não esqueçamos que, e para citar um exemplo, o Império Romano, para além da crise económica que nele se desenvolveu (a corrupção e a desordem reinavam nos palácios romanos) levou, devido à dissolução dos costumes, a uma queda na sua densidade demográfica. Atente-se que no fim do século II, começou a registar-se a decadência: o exército, até aí todo-poderoso, via-se confrontado com um número cada vez menor de homens para o integrar.

Curiosamente, o Império Romano do Oriente, fortemente cristianizado, permaneceu por mais mil anos, enquanto que a metade ocidental pagã foi conquistada pelos bárbaros.

Assim estamos nós, europeus, cada vez em menor número, e cada vez mais bárbaros…
(Gostaria de ter estado em Fátima, este fim-de-semana, mas tal não me foi possível...)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Socialistas Católicos contra o aborto.


Um grupo de socialistas católicos vai afixar em todo o país cerca de três mil cartazes com o lema “Ser de esquerda é ser pela vida”.

Para Cláudio Anaia, “a esquerda humanista” - cuja tradição é precisamente a defesa dos mais débeis e vulneráveis - deveria estar na primeira linha na promoção desse valor, em vez de contribuir para a banalização do aborto.

“A banalização do aborto é o triunfo dos mais fortes sobre os mais fracos e indefesos, que são - mais que ninguém - os não nascidos, a quem se nega o seu primeiro direito: o de nascer”.

Bem, revejo-me no grupo… esta não é a esquerda ateia e maçónica…

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

O Director-Geral dos Impostos encomenda-se a Deus.


O Director-Geral dos Impostos, Paulo Macedo, calcorreou hoje as ruas por onde tantas vezes passo (em busca das pegadas do “Il Santo” que ali nasceu e viveu parte da sua vida – junto à Igreja de Santo António, pois claro), pertinho da Sé de Lisboa (Igreja de Santa Maria Maior – bela, com o seu estilo românico, mandada erguer por D.Afonso Henriques, e na qual, no seu interior, se encontra a pia que baptizou Santo António).

E foi nesta Igreja que um Director-Geral de um Governo PS ( "ele" há Católicos no PS, pois então...) encomendou uma missa de acção de graças pela sua Direcção-Geral (DGCI) e pelos seus funcionários! Que o acompanharam!

Honra lhe seja feita, que este acto é raro, num Estado que alguns pretendem (demasiado) laico. Mas, o facto do Estado ser laico, não quer dizer que se abafem as manifestações de Fé dos cidadãos, quaisquer que sejam os cargos que ocupem…
Já sabemos que, dos sectores do costume, aqueles que fingem ficar "escandalizados" com a "ofensa" aos não crentes, vão "chover" protestos... não faz mal: a caravana passa....

Aliás, Nação Fidelíssima, Portugal será um País adiado enquanto nós cidadãos, não tomarmos o Destino nas nossas mãos e o banharmos nas águas mais sagradas e puras do nosso Misticismo.
Foto: Sé de Lisboa ( Autora: Isaurinda Brissos).
Nota final: candidamente, pergunto: Se o Estado é laico, então porque motivo ainda se celebram e mantêm os feriados católicos?! Responda quem puder mas... com coerência.

domingo, 7 de janeiro de 2007

As fontes da nossa memória...



Na época do Natal, lembramo-nos mais daqueles que já partiram e que fizeram parte da nossa vida. Lembramo-nos do tempo inexorável, que corre e nos vai envelhecendo sem que demos por isso… Lembro-me do nosso David Mourão-Ferreira, poeta do amor, que nos deixou a sua ladainha dos póstumos Natais… “Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio”…

Mas, e como já tenho dito, enquanto não penetramos no Mistério, saibamos honrar aqueles que nos precederam na estrada que conduz à Casa do Pai. Considero um imperativo ético recordar, neste nosso mundo, aqueles que connosco partilharam a vida, e que estarão assim vivos no nosso coração, e neste nosso mundo visível…

No final de mais um Natal, no rescaldo de uma Epifania, na qual o Ocidente celebra a revelação de Jesus ao mundo pagão, um símbolo de que Cristo é o Salvador de toda a Humanidade, reflicto, de facto, no Tempo, esse verdadeiro mistério que assombra os homens pelo imenso segredo que ele contém… E vem-me à memória um escrito meu (e que fui rebuscar) acerca precisamente do Tempo, das nossas memórias, e da água que, eterna, corre nas fontes da nossa memória, sem parar, indiferente às nossas preces...


Dizia eu que na nossa infância tínhamos a nítida impressão de que o Tempo passava mais devagar. Decorria uma eternidade até o período de férias chegar; o Natal, sempre ansiosamente aguardado, era um evento que se repetia lá muito ao longe...


O homem é um ser com história, e esta é o espaço e o tempo do possível. À medida que crescemos a história inverte-se. Parece que o tempo se acelera. Quando nos damos conta já estamos prestes a ultrapassar o primeiro semestre para, logo em seguida, nos surpreendermos com as os primeiras cores natalícias. E, apesar dessa mudança de percepção, sabemos que as intermináveis horas da infância contêm os mesmos fugazes 60 minutos da fase adulta. No fundo, é a nossa vivência que muda a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registam a nossa passagem dentro do tempo. O tempo não passa, nós é que passamos dentro dele...

Resta-nos evocá-lo, no nosso pensamento. Os bons momentos passados, claro, pois as nossas memórias dolorosas não vale a pena trazê-las à superfície. Aliás, é impossível voltar ao passado. Afinal, que faríamos nós com ele? Não o podemos modificar, não podemos rever aqueles que nos deixaram…e, como dizia um amigo meu, Padre Franciscano, Frei Adelino Pereira (que já partiu…) no seu livro “Clamei por Vós Senhor!”, “Todo o nosso bem é este nosso instante apenas. O passado passou e o futuro ainda não veio”.

Mas é bom sonhar acordado com as paisagens que nos acariciaram a Alma, tal como essa geografia envolvente de Alvega, a terra que viu nascer a minha mãe e a minha avó materna, com os seus campos e o seu mágico Tejo muito azul, de um azul que, perdoem-me se isto é ilusão, não existe em outro rio deste Portugal, e que ainda hoje me murmura aos ouvidos uma mensagem de melancolia mas igualmente de paz, que me reporta a um outro País, mais inocente, onde Deus estava presente no coração das gentes, onde estas conheciam os valores da Família, da Amizade, da Fraternidade, quando ainda não existia uma sociedade alienada, onde todos os dias se sacrifica ao deus-mercado. Perderam-se esses valores na transição para o regime democrático. Porque será que o Homem nunca consegue conciliar o melhor de dois mundos?

Recordo uma fonte existente dentro da Quinta da Senhora da Guia, na pequena vila, para onde, com os meus 15 anos, nas longas férias de verão escapava, nas tardes calmosas, para ir ler à sombra de árvores protectoras, ouvindo a suave voz da água, que se deixava cair de uma fonte para um largo tanque, a “Poesia III” de José Gomes Ferreira, um volume que ainda o tenho, edição amarelecida de 1971. Era o Tempo em que existia o gosto pela leitura e pelas coisas do Espírito, e boas editoras que elaboravam capas maravilhosas para os seus livros.

Gostava daquela Poesia, pese embora a sua corrente neo-realista, por vezes ácida, cruel. Mas também muito humana e, por vezes, surpreendentemente mística. Permitam-me que reproduza aqui um brevíssimo poema daquele volume:

“E se, de repente, voassem dos teus olhos duas pombas azuis?
Então sim, poeta, cairia pela primeira vez no mundo o espanto da primavera completa.”

Não se admiravam os caseiros de me verem ali, sentado nos bancos de pedra, sabiamente dispostos em redor do tanque. Hoje, já não seria possível voltar a repetir a experiência. Já ali passei e encontrei, junto à ponte, à saída ou entrada, como queiram, de Alvega, os portões de ferro fechados, os mesmos que a minha avó Adélia, com o seu sorriso, abria, pois nela confiavam umas senhoras que ali viviam e que sabiam que ela tinha a chave da amizade...


"Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir" - São Lucas, 6-21.

Foto: entrada para a Quinta do Pombal - Senhora da Guia, Alvega (Abrantes, Santarém). Terra envolta em lendas. Conta-se, por exemplo, que a Buraca da Moura (fenda profunda que existe junto à EN 118) era o local onde estava escondida uma bela Moura, que saía de noite para cantar os seus tristes lamentos...

sábado, 6 de janeiro de 2007

Os Reis Magos



Os Reis Magos vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Deus Menino, em Belém (São Mateus 2, 1-12). A Ele ofereceram ouro, como símbolo de sua dignidade real; incenso, como confissão de sua divindade; e mirra como símbolo de que se havia feito homem para redimir o mundo.


É-me caro este tema dos Reis Magos, ou ele não estivesse impregnado de Poesia!

Com efeito, o Mistério dos três Reis Magos, que percorrem um mar de areia para irem ao encontro do Salvador do Mundo, é um tema que me apaixona há anos. Faz-me pensar que bom seria podermos, nos dias que passam, ir também ao Seu encontro, para sermos salvos deste caminhar por vezes tão solitário e sem sentido, para nos livrar da angústia de nos sabermos limitados e finitos, de sabermos que um dia deixaremos de poder contemplar o mar, de caminharmos descalços na areia húmida e, o que é mais doloroso, de não mais usufruirmos da companhia da pessoa que amamos até à loucura… Mas que sabemos nós de tudo isto?! Nada...

Quem sabe, talvez que tudo se possa resolver a nosso contento: O pequenino Menino Jesus esquecerá as nossas falhas, as nossas infidelidades, as nossas quedas, e nos permitirá viver no segredo do Tempo com aqueles que mais amamos. Pois não é Ele o doce Jesus da Misericórdia?

Mas, enquanto não penetramos no Mistério, que o Menino Jesus nos dê um suave e longo caminho para percorrer, na companhia daqueles que amamos…





“ Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. E perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (São Mateus, 2,2).



"Adoração dos Magos", 1828, óleo sobre tela; Domingos António de Sequeira (1768-1837).

Das nossas devoções II - No primeiro Sábado do Mês...



Corriam os negros anos vinte em Portugal. A República ateia espalhava os seus erros na Nação Fidelíssima…

No dia 10 Dezembro de 1925, a Santíssima Virgem apareceu à Irmã Lúcia, em Pontevedra, tendo a seu lado o Menino Jesus.

Pondo-Lhe uma das mãos no ombro, mostrou-Lhe, com a outra mão, o Seu Coração rodeado de espinhos.

O Menino Jesus, apontando para o Coração, disse-lhe:

"Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um acto de reparação para os tirar."

A Santíssima Virgem prometeu, naquele momento, que todos aqueles que durante cinco meses seguidos, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e Lhe fizerem quinze minutos de companhia, meditando os quinze mistérios do Rosário, com a finalidade de A desagravar, Ela assisti-los-á na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação das suas almas.

A chama do Vosso Coração, Maria, desça sobre todos nós, teus filhos!

“Deixemos-nos guiar por Maria. O seu Coração Imaculado seja o nosso refugio e o caminho que nos conduz a Cristo” (João Paulo II, Alocução de 17/5/2000.)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Das nossas devoções I - Na primeira Sexta-Feira do Mês...



Hoje é a primeira Sexta-Feira do Mês e deste Ano de 2007, ano que pretendemos, apesar das nossas fragilidades, que seja Santo, do agrado d’Aquele que amamos, ao qual nos encontramos rendidos pela Sua Beleza e Misericórdia, Senhor que é da nossa vida, da nossa história pessoal e da História da Humanidade.

Com efeito, em 1673, Santa Margarida Maria de Alacoque teve uma série de revelações de Jesus Cristo, que a levaram à santidade e à criação de apóstolos desta devoção.

O doce Jesus manifestou-lhe as maravilhas do Seu Amor e os segredos do Seu Coração.

Todavia, esta devoção tem raízes desde o século XI. Veja-se São Boaventura, o qual, no seu “ O lenho da Vida”, diz-nos o seguinte: “ (...) para que do lado de Cristo, morto na cruz, fosse formada a Igreja, e se cumprisse a escritura, que diz: Olharão para Aquele que trespassaram” (João 19, 34), foi permitido, por divina disposição, que um soldado perfurasse e abrisse aquele lado sagrado. Dele saiu sangue e água, preço da nossa salvação (…)”.

O culto ao Sagrado Coração de Jesus teve sempre uma grande oposição. Atente-se no jansenismo, no século XVIII. E, “estranhamente”, a Europa, ao rejeitar o Coração de Cristo, viu-se assombrada pela Revolução francesa e pelas guerras provocadas por Napoleão Bonaparte. E, na História do nosso País, veja-se a acção perniciosa da I República relativamente não só a este culto, mas também ao culto da Imaculada Conceição de Maria…

Mas, no seio da Igreja, Pio IX, em 1856, estendeu a festa do Sagrado Coração de Jesus a toda ela e, em 1899, Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Um acto pleno de significado: O Mundo não é refém do Mal, mas pertence antes ao Bem que é Cristo !

Entre as muitas promessas que Jesus Cristo fez, àqueles que fossem devotos do seu Sagrado Coração, uma se destaca: aqueles que comunguem em sua honra, nas nove primeiras sextas-feiras de cada mês, para além da graça da penitência final, não partirão sem receber os Sacramentos, não morrerão em pecado, e o Coração de Jesus será o seu refúgio naquele último momento…

Assim sendo, para nós Cristãos, que vivemos a Fé com Paixão, que razão temos para temer a Morte?...

Que ela, a “irmã” Morte, como assim a apelidava São Francisco de Assis, seja para nós, um dia, uma passagem para uma existência em comunhão com Jesus e Maria!

"Mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água" (São João, 19,34).

Nota final: a minha amiga Maria do Céu remeteu-me as seguintes notas, as quais, totalmente pertinentes, as transcrevo, com a devida vénia:

" Temos na nossa cidade de Lisboa, o primeiro santuário do Mundo a ser consagrado ao culto do Sagrado Coração, aprovado por bula papal. É a Real Basílica do Santíssimo Coração de Jesus, mais conhecida por Basílica da Estrela, cuja construção nasceu da devoção de D. Maria I ao culto do Sagrado Coração de Jesus.

Ainda princesa, fez um voto ao Santíssimo Coração, de mandar erguer uma igreja e convento para as religiosas de Santa Teresa de Ávila, ou seja, para as Carmelitas Descalças, pedindo o nascimento de um filho varão.
Quando ela casou com o Infante D. Pedro, em 1760, logo os preparativos para as obras começaram. Mas uma série de obstáculos só permitiu que a Basílica fosse sagrada em Novembro de 1789, uma década após a bênção da primeira pedra.
E depois é bom não esquecer, que D. Maria I veio a falecer no Brasil, para onde a família real foi obrigada a exilar-se. Mas os seus restos mortais encontram-se, desde 1821, num túmulo levantado para o efeito, no interior da real Basílica. "

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

No início do Ano - a Prece...



No início deste ano e, ao retomar a minha actividade profissional, aqui, no sossego do meu gabinete de trabalho, nestes dias ainda balbuciantes, quero deixar a todos os meus Amigos a prece do P. Manuel Formigão, Fundador e Pai da “Congregação Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima ( http://www.reparadorasfatima.pt/index.php ) :

“Ó Santa Mãe de Deus, ó Mãe Celeste, que por Jesus a salvação trouxeste, os olhos volve para os filhos teus!”
P. Manuel Formigão

E nós, o que somos senão Seus Filhos, apaixonados pela Mãe Santíssima? Rendidos à Sua Beleza e Bondade?! Precisamente Aquela de quem eu poderia dizer, parafraseando a passagem de São Lucas: Ó Mãe, que te dignaste pôr os olhos na humildade do teu servo!

Nota: ao som do "Magnificat" de Antonio Vivaldi (1678-1741).