Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Mãe de todas as Graças...


Foi em 1830 que Nossa Senhora apareceu, em Paris, a Santa Catarina Labouré, jovem religiosa, e lhe ensinou a devoção da Medalha Milagrosa.

Com efeito, numa tarde de sábado, no dia 27 de Novembro do referido ano, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora: Ela estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruz de ouro. Das suas mãos partiam raios luminosos e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.
Nossa Senhora disse a Catarina que o globo representava o mundo inteiro e cada pessoa em particular.

Já tive a felicidade de pisar o chão da Capela das Aparições, na Rue du Bac, em Paris, e a sua beleza é, de facto, indescritível: o manto do Tempo desce sobre nós e separa-nos do frenesim deste mundo.

Resta-me pedir à Mãe de Deus a graça da fidelidade e do amor constante a Seu Filho.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Nem mais um soldado...





Os soldados que regressaram das nossas províncias ultramarinas e, em concreto, os sargentos, comentaram sem hesitações que, a partir do momento em que Portugal delas saísse, iriam as várias etnias africanas matar-se umas às outras…

E assim foi, com efeito. Veja-se o que se passou em Angola, Guiné, Moçambique.

Apenas uns “iluminados” “acreditaram” naquilo em que um sargento conhecedor do terreno nunca acreditou...

“Nem mais um soldado para África" ou “Nem mais um soldado para as Colónias” foi o “slogan” então proclamado em Portugal Continental (por alguns, entenda-se…).

Hoje, após a morte de um soldado português no longínquo Afeganistão, País que nada nos diz, e onde, ao que consta, não vivem portugueses, não oiço gritar nas ruas e na Assembleia da República esta frase hoje tão apropriada:


Nem mais um soldado para alimentar as guerras da América!


Foto: Kaúlza de Arriaga, na África Portuguesa, com os seus homens. Retirada do "site" dos Comandos. Com a devida vénia. Quem o quiser consultar aqui fica o link:

domingo, 25 de novembro de 2007

Jesus, o nosso Rei.


Neste Domingo, a Igreja celebra a realeza de Jesus. Pilatos, tendo feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz. (São João, cap. XVIII, vv. 33, 36 e 37.)


Jesus disse a Pilatos que era Rei. Mas este não entendeu que não se tratava de um rei como os desta terra. Cristo, Senhor do Universo, fêz-se antes servo ao ponto de ter entregue a sua vida para que nós a tivessemos em abundância.


Foi perseguido e morto Aquele que curou os doentes, saciou os famintos, e maravilhou o mundo daquele tempo com a Sua Palavra de Verdade e Esperança. E continua a maravilhar os homens do nosso tempo que possuem a Graça de ter Fé.


Jesus é antes o Rei que privilegia os marginalizados da sociedade. Na Cruz, o ladrão arrependido representa-nos a todos nós, pecadores arrependidos das nossas fraquezas.


Ele bem o disse: “Eu não vim chamar os justos mas sim os pecadores” (São Marcos, 2,17).


Aqui estou, Senhor! Faz de mim um homem melhor...


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Como é possível prescindir do Homem?




Hoje, um amigo que trabalha numa instituição bancária, disse-me algo de extraordinário: que a cultura existente no seu Banco (e de todos, diga-se de passagem) é convencer os clientes a serem fiéis à Instituição e não a pessoas concretas. Ou seja, todos nós deveremos ser fidelizados a uma determinada “marca” e não ao perfeccionismo, ao talento e brio profissional de quem toma conta dos nossos assuntos.

Assim vai a filosofia daqueles que gerem os destinos da nossa sociedade: acreditar na frieza de uma organização, e desprezar aqueles que precisamente dão alma e vida à mesma: os homens e mulheres que com o seu trabalho dão um sentido à sua própria vida e justificam a existência das referidas organizações.

É a completa inversão dos sãos valores que deveriam nortear a nossa vida colectiva.

Como prescindir do Homem? Como é possível pô-lo de lado?


Assim, de facto, não alcançaremos a tal “Cidade de Deus”…
Nota: foto de Carla Salgueiro (com a devida vénia).

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Regressar às verdadeiras fontes...



A presente sociedade é, sem margem para dúvidas, mal gerida.

A sociedade de hoje encontra-se sem referências, sem utopias e sem uma ordem transcendental que a inspire.

Creio bem que deveríamos regressar a Santo Agostinho, quando este ensina que a justiça e o amor verdadeiro entre os homens deveria acontecer e ser uma realidade.

Será que, para tal, a sociedade deveria ser gerida teocraticamente? É que “tecnocraticamente” já constatámos que ela não funciona…


Mas… e os fundamentalismos?

Não sei responder a esta questão. Mas, segundo os ensinamentos do Santo, a acção de Deus encontrar-se-á cada vez mais actuante no mundo, na medida em que os homens se humanizarem.

Se tal se der, e o homem deixar de ser o lobo do próprio homem, a “Cidade de Deus” acontecerá.

Será uma realidade até no nosso próprio quotidiano…
Nota: Santo Agostinho - Pintura espanhola (José de Ribera), séc. XVII. Óleo sobre tela.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

À Procura...




A nossa cidade vê finalmente o verdadeiro rosto do Outono. Da minha janela, a bela arquitectura dos anos 50 enquadra-se bem na nostalgia da semana que assim nasce.

Medito no precário e no definitivo.

Todos os dias, nos confrontamos com a precariedade da nossa vida e da dos outros, especialmente daqueles que amamos. Pelo seu gesto de ternura, de meiguice, pela sua beleza.


Pela luz que nos serve de guia…

Mas, se caminhamos para o Definitivo, para quê o esforço quotidiano?

Ao tempo de S. Paulo, alguns discípulos deixaram de trabalhar, convencidos que estavam do eminente regresso de Jesus Cristo.

A esperança que Ele anunciou parece assim contraditória com a fragilidade desta nossa vida.

E como justificá-la?

Tenho pensado se efectivamente pode justificar-se uma vida apenas pela prática do Direito. Mesmo que através dele se tente praticar o Bem, dando razão a quem dela se encontrada carecido.

Mesmo que através dele se persiga a justiça e a verdade.

Mas não creio que seja suficiente. Parece-me que é necessário fazer algo mais pelos outros. Caso contrário, o que diremos, um dia, ao nosso Mestre? Não queremos ser servos inúteis, não é assim? Temos de fazer render os nossos talentos… e actuar, em conformidade, na nossa sociedade.

Estamos pois à procura….






segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Que vida?


Que fazemos nós neste mundo?

Tantos problemas, tantos dramas quotidianos, tantas más incompreensões com que temos de arrostar…

Interrogo-me se vale a pena… Valerá a pena?

Às vezes dá cá uma vontade de “despacharmos” esta peregrinação! E dizermos: aqui estou, Senhor! Já não podia esperar mais! Farto desta terra que nos deste, a qual seria o primacial Paraíso mas que o homem irremediavelmente destruiu!

Parece-me que estes dias são apenas uma longa e penosa espera até chegarmos Àquele que, como os Apóstolos disseram, é o único que tem palavras de vida eterna!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Regresso à casa do Pai.


Hoje é feriado, e estou em casa a trabalhar; já o ano passado me aconteceu ter coisas urgentes – prazos a cumprir! - e não ter a disponibilidade que se impunha para poder meditar e reflectir sobre as coisas santas que nos rodeiam, sem que nós as vejamos (embora as sintamos e sintamos os seus efeitos nas nossas vidas).
Parafraseando a minha amiga Conceição Castro, "regresso a casa" é o título apropriado para este dia. E, como hoje lhe disse no seu blog "momentUS" , creio bem que atravessamos esta nossa vida como eternos viajantes em busca da nossa casa... para aí podermos permanecer, finalmente, em paz...

Evoco outras memórias, os serões passados em família, quando era miúdo, a paz da província, a beatitude que ali então se respirava…

Um mundo que desapareceu…

Na liturgia de hoje - Dia de Todos-os-Santos - o saudoso João Paulo II afirmou que a Igreja tem a “alegria de celebrar, bnuma única festa, os méritos e a glória de todos os Santos, não apenas daqueles que ela proclamou ao longo dos séculos, mas também dos inúmeros homens e mulheres cuja santidade, escondida neste mundo, é bem conhecida de Deus e resplandece no seu Reino eterno”.

Ainda segundo João Paulo II, “A solenidade do dia de hoje convida-nos a dirigir o olhar para o Céu, meta da nossa peregrinação terrestre. É ali que nos espera a comunidade dos Santos. É ali que nos encontraremos de novo com os nossos queridos defuntos, pelos quais se deverá elevar a oração na grande comemoração litúrgica do dia de amanhã.”

Ora, este dia de amanhã, é o dia 2 de Novembro, este sim, aquele dia mais sofrido, no qual as pessoas vão aos cemitérios visitar os seus mortos. É claro que por uma questão de ordem prática, já no dia 1 fazem o mesmo. Mas apenas no dia 2 é que se celebra o dia de Finados. Hoje, dia 1 Nov., é um dia pleno de alegria, pois celebramos os Santos de Deus, todos aqueles que viveram e morreram na Sua amizade.

Com efeito, desde os primeiros séculos que os cristãos praticam o culto dos Santos, a começar pelos Mártires; por isso hoje vivemos esta Tradição, na qual a Mãe Igreja nos convida a contemplarmos os nossos "heróis" da fé, esperança e caridade.

Na verdade, é um convite a olharmos para o Alto, pois neste mundo escurecido pelo pecado, brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança aqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma "constelação".

São João relata-nos: "Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Apoc 7, 9).

Todos estes merecem o nosso amor, pois foram jovens, homens casados, mães de família, empregados, patrões, Sacerdotes, mendigos, militares, Religiosos, que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho.

A vida dos Santos constitui uma proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças, sem contudo perderem o entusiasmo pela Pátria definitiva pois, segundo a Carta aos Efésios (escrita por São Paulo aos Cristãos de Éfeso, cidade da Ásia Menor), "já não sois estrangeiros, nem imigrantes; mas sois concidadãos dos Santos e membros da casa de Deus” (Ef Capítulo 2,versículo 19).