Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

A minha fotografia
Nome:
Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

sábado, 31 de março de 2007

O Melhor Português de Sempre...


Andam todos a falar do " melhor português de sempre"... bem, já agora eu diria que pelo menos este não enriqueceu por estar no Poder. E sabia como "levantar" um Estado... hoje, quem sabe? Pelo contrário, parece que o querem destruir...
Com tanto dinheiro que veio da CEE/União Europeia, e nada se fêz de relevante pelo povo português. Apenas estradas. Tudo o resto - toda a obra de fomento realizada - como a rede de hospitais, de escolas, de electrificação, barragens, um sem fim de realizações que seria aqui fastidioso enumerar (talvez noutro momento...), tudo isso pertence a esse período de "obscurantismo" e "atraso"... Tivesse Portugal, à época do Estado Novo, os recursos que tem hoje, e seria esta terra um paraíso bem tratado! Se se fêz tanto com tão pouco!
Escamoteia-se que no fim da 1ª República, tudo estava por fazer neste País! E encontrávamo-nos à beira da bancarrota!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Lisboa adiada


Com a saída de Maria José Nogueira Pinto da Câmara de Lisboa, fica adiado o projecto de requalificação da Baixa. A cidade perde. Todos nós, lisboetas, perdemos.
Com a saída de Maria José Nogueira Pinto do CDS, este perde qualquer interesse. Entregue que fica a arrivistas.

terça-feira, 27 de março de 2007

Anunciação do Senhor


Nesta segunda-feira, a Igreja celebrou a Solenidade da Anunciação do Senhor:

"Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo:
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo".

(Evangelho de São Lucas, 1, 26-28)



É mais forte do que eu: quando rezo o Terço, e pronuncio estas doces palavras do Anjo - “Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor está Contigo!” - assalta-me uma comoção!

Como é linda esta frase do Anjo Gabriel!

Que poderei dizer agora, nesta madrugada tão adiantada de terça-feira? Deste tão grande Mistério, o SIM de Maria?

Porque soube dizer SIM a Deus, Maria foi a Mãe de Jesus, do Verbo de Deus. E foi através de Seu Filho, quando Este entrou no Mundo, que a Humanidade teve possibilidade de redenção.

Como disse o meu querido João Paulo II, “O consentimento expresso [por Maria] na Anunciação, há dois mil anos, representa o ponto de partida da nova história da humanidade. Com efeito, o Filho de Deus encarnou e começou a habitar no meio de nós, quando Maria declarou ao anjo: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).


Aos pés de Jesus, também digo: "Eis aqui o escravo do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra" ...

Nota: "Anunciação", óleo sobre tela, por Bento Coelho da Silveira - 1655. Museu de S. Roque, Lisboa.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Efemérides: os meninos birrentos.


O dia 24 de Março foi consagrado, em 1987, e pela Assembleia da República, ao Dia do Estudante. Uma data que pretende evocar a “crise académica de 1962”.

Mas, afinal, que protagonistas teve essa “crise académica” ? Apenas uns meninos que ao tempo eram comunistas, maoístas, trotkistas, sei lá que mais... (e hoje burgueses exemplares, “façanhudos” que agora arrastam, sem glória, a sua indolência, e atravessam os nossos dias cinzentos, repetindo a mesma mensagem de sempre, velha e equivocada).

“Meninos” que hoje apenas sabem evocar as noites de estúrdia, nas quais bebiam e enganavam as raparigas com o seu falso paleio “progressista”: com efeito, o "progressismo” alardeado por essa gente tinha apenas em vista, neste particular, o levar para o mau caminho as colegas de faculdade… Esses pseudo-estudantes rejeitavam o respeito, a consideração que existia entre professores e alunos e o respeito que deveria existir entre estes últimos. Afinal, viam as colegas apenas como “fêmeas” que deveriam, em nome do “progresso”, estar prontas a satisfazer os seus “revolucionários” apetites… E, pelo caminho, rejeitavam os mais sagrados deveres que um homem pode exigir de si próprio.

Vê-se, nos nossos dias, o resultado da destruição desse ensino primário, secundário e superior: uma geração de gente boçal, sem outros horizontes que não seja beber, “engatar miúdas” como hoje se diz, e assistir aos “big brothers” que passam na nossa (?) televisão dita “democrática”.

Hoje, esses que vivem de modo parasitário neste Portugal de pesadelo que ajudaram a construir, que combateram o que de melhor existia na sociedade de então, pretendem escamotear (ao cantar loas às “aventuras” e “brincadeiras” que, nesse tempo, coloriam as suas vidinhas de meninos burgueses, “armados em revolucionáros”) que nesse tempo é que se aprendia a lutar e a viver em sociedade. Sendo responsável. Respeitando o próximo.

Afinal, esses desde sempre bem instalados na vida, apenas queriam destruir as nossas mais sagradas virtudes como povo católico e Nação fidelíssima, propagando (e assim continuam) a ideologia do comunismo ateu, aliás condenado pelo Papa Pio XI, na Encíclica “Divini Redemptoris” (a qual, aliás, foi publicada há 70 anos, no dia18 de Março de 1937).
Não descansaram enquanto não transformaram Portugal num País mesquinho e insignificante.
Por pouco não transformaram Portugal num País ateu (mas ainda não desistiram...).
Nota I: a foto ilustra a "crise académica" em Coimbra, mas no ano de 1969: a Escadaria Monumental ocupada pelas forças da ordem e os "meninos birrentos" ali postados em sossego...
Nota II: clicar na foto, para ampliar.

terça-feira, 20 de março de 2007

O início do Estado Novo, vale dizer, da restauração de Portugal.



A 19 de Março de 1933 foi plebiscitada a Constituição que marcou o início do Estado Novo em Portugal. Periodo da História do nosso País em que houve necessidade de enfrentar a situação de descalabro financeiro e completa degradação das Instituições a que a Primeira República tinha conduzido o País.

Outros contos, noutra oportunidade....

segunda-feira, 19 de março de 2007

São José, Príncipe de todos os Bens do Senhor.



"Deus o constituiu Senhor da Sua Casa
E fê-lo Príncipe de todos os Seus Bens"

(Da Ladainha de São José).




Hoje na Igreja celebra-se São José, Esposo da Virgem Santa Maria. É assim este 19 de Março um dia solene.


São José é mencionado nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus. Descendente de David, José foi carpinteiro na Galileia.

José esteve ao lado de Maria em todos os momentos, sobretudo nos mais dramáticos (excepto na crucifixão e morte de Seu Filho adoptivo): aquando do nascimento de Jesus em Belém; quando a Sagrada Família teve de fugir para o Egipto; na celebração da Páscoa Judaica, em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos - José e Maria regressavam à Galileia, convictos de que Ele estava no meio do grupo. Mas, ao aperceberem-se da sua ausência, regressaram a Jerusalém, buscando-O durante três dias. Afinal, Ele estava na casa do Pai, falando com os Doutores da Lei:

“Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!”

Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?”

(São Lucas, 2,48-49).

Pio IX declarou-o Padroeiro da Igreja universal, através do decreto “Quemadmodum Deus”; Leão XIII, na Encíclica “Quamquam pluries”, designou-o como advogado dos lares cristãos.

Eu, por mim, descobri-O muito recentemente. Foi uma paixão (mais uma) que me nasceu no coração. Foi Deus que ma suscitou, sem dúvida...

Tenho uma bela pintura de Ema Berta, com o tema da "Fuga para o Egipto". Ao contemplá-la inúmeras vezes, penso com comoção nessas terras, hoje tão dilaceradas, do Médio Oriente, que podemos hoje pisar com os nossos próprios pés, sentir neles a terra que foi pisada pelos pés de José de Maria e do Menino Jesus!

A fuga para o Egipto indicia-nos que toda a vida de Jesus esteve sob o signo da perseguição daqueles que são contra Deus, que o rejeitam. Tal como hoje, nós, Cristãos, que somos perseguidos pelo ateísmo, pelo secularismo, pelo ódio à Igreja.


São José - Aquele a quem Deus “confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos”. Aquele que, segundo João Paulo II, no Mistério da Encarnação, “participou como nenhuma outra pessoa humana, à excepção de Maria, a Mãe do Verbo Incarnado” ("Exortação Apostólica Redemptoris Custos”).
Nota: este texto foi redigido em honra de São José. Para ser lido, no Céu, por Ele.

O filho pródigo ou o Amor Eterno de Jesus.


Hoje, o Evangelho de São Lucas (15, 1-3.11-32) fala-nos sobre um jovem que sentia como um jugo pesado a ordem que reinava na casa de seu pai. Queria ser livre… e pediu a parte da herança que, em devido tempo, lhe caberia. E partiu…

Santo Agostinho abordou o tema desta parábola na perspectiva do Amor e da Misericórdia que Deus tem para com a nossa fraqueza humana.

Também hoje o Frei Álvaro, na Igreja de Santo António à Sé, na Missa das 19H, proferiu uma memorável homilia sobre este tema do Amor de Deus, oferecendo uma visão talvez não muito frequente do Céu: este visto como lugar de Misericórdia e não como Tribunal e lugar de juízo.

Muitos de nós somos ou fomos como o filho pródigo: afastámo-nos do Pai, por preconceito ideológico ou filosófico, por abandono, por esquecimento, buscando os meros prazeres mundanos. E, em consequência, surge a miséria, o fracasso, a solidão. O prazer dá lugar ao sofrimento. É a nossa condição quando longe de Deus.

Mas quando “caímos em nós” (São Lucas, 15-17), reconhecemos o nosso pecado: aquilo que parecia ser bom ou “não ter importância” afinal reconhece-se como pecado: resta-nos levantarmo-nos e irmos ter com o nosso Pai (L. 15-18). É o caminho da conversão que nos leva a Ele, que tem os Seus braços abertos para nos receber.

Esta parábola do filho pródigo lembra-me sempre que, por vezes, não compreendemos que os nossos pais (apesar de todas as suas possíveis falhas e defeitos) nos amam. E que o Pai do Céu, esse Puro e Perfeito, nos ama, aguardando, pacientemente, o nosso regresso…

Felizes daqueles que, em tempo útil, tal compreendem! É como o belo Salmo (34) deste dia de Domingo, que nos interpela (e que recitei com tanto amor hoje na Igreja! Ele era-me dirigido! Uma súbita vertigem tomou, naquele breve instante, conta de mim…):

"(...) Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade.

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias".

quinta-feira, 15 de março de 2007

Coisas da vida...


Ela anda muito muito cansada… a vida, hoje em dia, é tão agreste para nós, simples mortais! …
Ontem, como de costume, deitei-me tarde. Ela já dormia, com o seu suave rosto de anjo pousado na almofada, os doces cabelos nesta espalhados… mas detectei um traço de preocupação nele… Fiquei ali, junto à cama, a olhar para ela, as mãos juntas numa prece... numa súplica ao meu/nosso Deus, ao nosso doce Jesus que nos tem amparado nestes anos todos, tão duros… que a Sua Sombra nos cubra e nos guie na Sua direcção…
E mais não escrevo que eu hoje estou muito emocionado…

quinta-feira, 8 de março de 2007

Coisas de...Mulheres! coisas afinal nossas...


Registo 1.

Na Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem", do meu muito saudoso João Paulo II (15.8.1988) reflecte-se sobre a "dignidade e a vocação da mulher, a igualdade e a comum dignidade do homem e da mulher, as respectivas diferenças complementares (…) quer no seu ser pessoal quer na comunhão de vida conjugal e familiar (…). O relacionamento de Jesus com as mulheres do Evangelho, e a figura de Maria, a mais perfeita criatura saída das mãos de Deus, ajudam a admirar o “génio feminino” a que tanto deve a Sociedade (e a Igreja)".


“A mulher (escreveu João Paulo II) é um outro “eu” na comum humanidade. Desde o início, [o homem e a mulher] aparecem como “unidade dos dois”, e isto significa a superação da solidão originária (…). Certamente se trata da companheira da vida (…) tornando-se com ela “uma só carne (…).


Registo 2.

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.

Com a celebração deste dia, pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher, o seu valor como pessoa, e não um mero objecto de prazer ou escravidão, qualquer que esta seja. E perceber o seu papel na sociedade.

Sem a Mulher, não existiria a inspiração necessária para um pequenino poema ( grande na ternura) como este:

"deixo
sempre um segundo
de amor
todas as noites
na tua mesinha
de cabeceira"

(Miguel Barbosa, in Cerejas – Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos, Editorial Tágide).




A Mulher – o ser porventura mais belo que Deus criou…

Há que preservá-lo na sua pureza original, livre de todas as ignomínias! Como aquela que amamos…que respiramos… como diz Eugénio de Andrade:


Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eu sei que vou gostar dos dias futuros,
que existirão amanhã, contigo, A…


Coisas de Deus...



No meio dos processos, veio-me à lembrança (tenho-A sempre no pensamento…) a doce figura da Virgem Santíssima. Aqui, frente a mim, na minha mesa de trabalho, a pequenina imagem, em madeira, d’Ela, comove-me tanto! Creio bem que Ela me sorri, com tanta ternura!

A Sua bondade, o Seu amor de Mãe, Mãe de Jesus e nossa Mãe. O seu coração cheio de ternura pelos seus filhos! Maria, porta do Céu, que me deixa a tremer de comoção pela Sua extasiante Beleza!

Levanto-me e chego à janela. Contemplo o fim do dia, a bela Igreja, muito branca, de São João de Deus, branca no meio do verde do jardim plantado aos seus pés.

Hoje, comemora-se, no calendário litúrgico, a festa de São João de Deus. Este, dois anos antes da partida de Vasco da Gama para a Índia, nascia em Montemor-o-Novo. Corria o ano de 1495…Portugal, a maior potência da Terra…

Não posso faltar à Santa Missa das 19H. Eu, que todos os dias, quando passo, de manhãzinha, frente à sua Igreja, lhe dou graças de o ter como companhia, aqui bem junto a mim, do meu trabalho…

Deo Gratia!

Nota I: foto e gravura retirados do belo "site" da Paróquia de São João de Deus - http://www.paroquia-sjoaodeus.pt/home.html;

Nota II: Clicar na maravilhosa foto da Igreja, para ampliar. O povo de Deus à sua volta...anos 60...

Olhando para a glória perdida...

triste
No espaço de um século – que vai sensivelmente da celebração do Tratado de Tordesilhas (que não versava outra coisa senão a soberania cristã no mundo), à perda da independência nacional (1580) – Portugal escreveu a mais maravilhosa página histórica que jamais outra Nação conseguiu alcançar.

Como é que foi possível Portugal mergulhar numa vil e apagada tristeza? Sem Império, sem grandeza, sem Luz!
Portugal, um farol que foi para o Mundo!

Estamos à espera de D. Sebastião, que regresse para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias…
Nota: Cristóvão de Morais - "Retrato de D. Sebastião" - 1571, óleo sobre tela. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.

terça-feira, 6 de março de 2007

Apenas o Senhor pode reconfortar a minha Alma.


O meu amigo, Dr. Coutinho Ribeiro, colocou, no seu “Anónimo”, um artigo com duas frases que me levaram ao texto que segue.

Falou ele do “medo dos acidentes por estradas perigosas” e do “deserto que é o interior, o deserto que se plantou no interior das pessoas”.

Duas afirmações que ele faz com toda a propriedade!

Ainda ontem à noite fui a Cascais, com dois colegas e amigos, velar um pouco a neta de um colega nosso, o decano de todos nós, nós os poucos que restam, que acreditam no Estado, na causa pública, meia dúzia de entusiastas do Direito Administrativo, e que ainda vamos tendo a sombra tutelar do nosso colega, a um ano de se aposentar, homem que já viu muita desgraça à sua frente, e mais esta agora…

Aquela neta foi vítima de um acidente de viação na recta do Dafundo, aqui em Lisboa, a caminho da Marginal. Uma noite na discoteca, com amigos, a saída da mesma às nove horas da manhã, a embriaguez da velocidade de quem ia a conduzir, o despiste, a morte.

Inútil. Todas as mortes são inúteis. Muito mais aos 19 anos.

Para quem acredita, é o encontro com o nosso Deus. Mas vi, hoje, nas exéquias, muitos jovens, desesperados, surdos à bela mensagem que o sacerdote transmitia. Palavras de esperança e um suave apelo à santidade. A uma vida mais coerente, mais responsável digo eu, traduzindo o pensamento daquele. Ao abandono de um modo de vida supérfluo, gerador de morte. Física e espiritual.

Mais triste fiquei ao ver que muitos jovens saíram a meio da homilia, talvez rejeitando aquelas palavras. Rejeitando a única Palavra que nos pode dar a Vida, a Esperança, a única que nos pode fazer repousar em verdes prados…

Esses jovens, com a sua atitude, plantam, no seu coração, o deserto que o meu amigo Coutinho Ribeiro menciona no seu artigo "Deserto (com algumas flores)". Deserto para os outros e para si próprios. Um deserto de desesperança, de descrença. E, contudo, apenas Jesus nos pode conduzir junto das águas tranquilas, e reconfortar a nossa alma…

“O Senhor é meu pastor, nada me falta; em verdes prados me faz repousar; conduz-me junto das águas tranquilas, reconforta a minha alma; e guia-me pelos caminhos da justiça, por amor do seu nome”.

(Sl 22 (23), 1-3).

Nota: Blog "O Anónimo" - http://oanonimoanonimo.blogspot.com/

sábado, 3 de março de 2007

O Céu na Terra... II


A coreógrafa alemã, Sasha Waltz, encenou a conhecida ópera “Dido e Eneias” de Henry Purcell, a qual fui ver, ontem à noite, no Centro Cultural de Belém, aqui em Lisboa.

Caímos num deslumbramento: subitamente, entra o coro, o “Vocalconsort Berlin”, com todos os seus elementos descalços, mesmo ali junto a nós, na plateia... mais tarde se desvendaria o mistério: eles e elas também entrariam no bailado… tratava-se da Companhia “Sasha Waltz & Guests”.

Foi intensa não só a beleza da música de Purcel, interpretada pela “Akademie für Alte Musik Berlin”, o comovente coro, como também a quase sempre presente poesia do bailado. Através deste, as bailarinas preenchem o tempo da música com o tempo dos seus belos gestos: o seu corpo, de tão etéreo, é quase imaterial… os seus lindos e delicados pés, descalços, desenham mistérios de poesia no ar, enquanto o corpo desliza perante nós… com efeito, a leveza dos seus movimentos, os vestidos leves e esvoaçantes, (como os dos antigos gregos), os cabelos soltos, transportam-nos ao mundo do puro, do celeste, do sublime.

As bailarinas são a síntese possível entre a pureza e a sensualidade, esta despojada de elementos estranhos e negativos…

Hoje, elas são as herdeiras de Isadora Duncan, pela liberdade de expressão que desenvolvem, e como pessoas que se comunicam através da dança.

Através da coreografia, somos introduzidos na história de "Dido e Eneias", inspirada na "Eneida" de Virgílio: Dido, Rainha de Cartago, acolhe um grupo de náufragos troianos. Entre eles estava Eneias, por quem se apaixona.

Quando este decide permanecer em Cartago, Júpiter envia Mercúrio, seu mensageiro, para que lhe ordene que parta e cumpra a missão para a qual estava destinado: fundar Roma. Dido não resistiu à separação, acabando por se matar.

Neste "Dido e Eneias", aquela coreógrafa fundiu diversas “linguagens”: música, ópera, dança, numa miscelânea deveras feliz. Com efeito, a coreografia de Sasha Waltz dá-nos a ternura mas também o dramatismo e inquietação de toda a história.


É de poesia que precisamos neste mundo… para nos "esquecermos", nem que seja por breves momentos, que o Homem, capaz de criar coisas tão belas (ele próprio é tão belo - se foi Deus que o fêz!) é, dramaticamente, também capaz de criar a morte e a destruição...
NotaI: foto retirada (com a devida vénia) do "site" da Companhia "sasha waltz & guests"- http://www.sashawaltz.de
NotaII: clicar na foto para ampliar.