Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Tardes chuvosas...


Tinha de terminar uma peça para entregar segunda-feira em Tribunal.

A tarde de Sábado esteve propícia ao aconchego do lar, aliás o último reduto que o homem de hoje possui, longe das ruas inquietas, das má-vontades, das intrigas, enfim do mal. E propícia ao trabalho, a ouvir a chuva que caía.


Lembro-me do meu pai, que gostava de ouvir a chuva a cair lá fora, na varanda, e aí tinha uma lata que a ia recolhendo, e produzia assim, no metal, um som agradável... uma melodia repousante...

Ora, este tempo chuvoso “pedia” um Rachmaninov ou um Chopin. Deste último, tenho um disco que há já alguns anos não ouvia.

Pu-lo a tocar e a peça (processual) até chegou rapidamente ao fim.

Barcarola em Fá sus. Maior, Op.60, e Nocturno em Si maior Op. 32 nº1, este especialmente repetido vezes sem conta, acompanharam-me naquela tarde.

Trata-se de uma gravação efectuada no Carnegie Hall de New York, de 1991, sendo o pianista o já (prematuramente) falecido Paulo Santiago.

Este, com a sua interpretação de um lirismo introspectivo, faz-nos mergulhar o pensamento no grande Mistério que é a Vida.

Para onde iremos, Senhor, se nada nos sacia neste mundo, e tudo são paliativos para a Tua ausência?


Apenas quando Te encontrarmos, poderemos, finalmente, repousar.

As Tuas mãos, Senhor!



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Novus Ordo Missae" II




A Igreja, com as suas preocupações de ecumenismo e de "diálogos inter-religiosos", fragiliza-se, parece que anda constantemente a pedir desculpa pela História, e entretanto afastou-se da Tradição, da liturgia que perpetuava a Teologia vinda dos Apóstolos.

Dizem que a Igreja tem que se adaptar ao mundo. Contudo, o Concilio Vaticano II deixa-me muitas dúvidas acerca da coerência dessa posição e, até, da validade dos novos ritos, à margem de toda a Tradição.

Que vigor tem assim a Igreja para se impor na sociedade?

Que dizer dos sacerdotes, hoje anónimos, que por aí andam, vestidos de fato e gravata, como nós, sem nada que os distinga, não deixando uma marca vincada nas ruas que todos nós percorremos?

A Igreja considera hoje que não é guardiã da sociedade política, não lhe competindo intervir no mundo laico. Erro crasso, que deixa “à vontade” os movimentos maçónicos e jacobinos que trabalham na sombra contra a Verdade proclamada por Jesus Cristo.

A Igreja assim arrisca-se a perder a sua força e a sua influência na sociedade, abrindo espaço aos inimigos de Cristo.


Os herdeiros de Afonso Costa têm hoje pulso livre para “meterem na ordem” os cristãos.

Parece que estamos nos primeiros séculos da era de Cristo, nos quais os cristãos tiveram de se refugiar em catacumbas para a celebração da Eucaristia.

Não se pode “dar nas vistas”! Ontem como hoje!

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sábado, 16 de fevereiro de 2008

A semente de Deus ninguém a pode tirar...


“Defendamos a família, relicário de amor sustentado pelas mãos trémulas dos nossos pais. Defendamos a Pátria, que consubstancia as nossas glórias de outrora, a Pátria que é bela, porque é a mãe de todos nós. Defendamos Deus da ignorância e do atrevimento, porque Deus é a suprema aspiração da alma humana, o grande mistério que ilumina as regiões do Além. Defendamos a Família, defendamos a Pátria, defendamos Deus pela Liberdade! Deus, Pátria, Liberdade, Família”.

Afonso Pena, escritor e político brasileiro.



Todo este ideário foi sendo combatido, desde o Iluminismo, na Monarquia Constitucional, no nosso País passando pelo Regicídio, pela implantação da República, no Estado-Novo que se "atreveu" a defender aqueles valores... até que venceram aqueles que hoje nos (des)governam.



Até um dia...


Alguém escolheu por nós; alguém escolheu o caos, a revolução social com o seu cortejo de violências no denominado "PREC", o esfacelamento da Pátria...


Aí está, diante de nós, o Portugal convulso, sem destino à vista, com a destruição, há trinta e poucos anos, de um regime político constitucionalmente consagrado.


Hoje somos reféns daqueles que Marcello Caetano apelidou de "profissionais da contestação".



Resta uma pequema semente: estudei pelo Catecismo que está na imagem. A despeito de todas as adversidades, a semente ficou e se fêz árvore...


Há aí algures uma floresta...

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Memórias que doem...


Aos 86 anos, "Cilinha" deu uma entrevista ao "Expresso" desta semana. Na mesma, ela afirma algo que defendo com toda a Verdade da minha Alma: a necessidade de salvar o Império, nem que fosse através de uma solução tipo "Commonwealth". Até poderia ter havido, no limite, uma independência mas, como ela afirma, "mais ligada".

Viajou muito por África e como ela diz, "havia um tratamento completamente diferente entre nós e os africanos e os outros [europeus] e os africanos . Nós éramos fantásticos. Os outros tratavam-nos a chicote, como bichos. A nossa África era completamente diferente. Eles ainda hoje têm saudades".

Pois, todos nós sabemos isso, até aqueles que destruiram e desmembraram Portugal, só que o não admitem: a verdade não "mora" nos seus corações.

É claro que temos de nos situar naqueles tempos recuados, e atentarmos nas mentalidades da época. Contudo, ao pensarmos na barbárie que existe por essa Europa fora (lembremo-nos das condições de autêntica escravatura em que vivem milhares de emigrantes, portugueses e não só, nessa União Europeia) talvez que essa mentalidade não seja, agora, assim tão diferente... será até menos desculpável pois, supostamente, hoje seremos mais cultos, socialmente mais conscientes...

Voltando a Cilinha Supico Pinto, penso como será doloroso, neste seu inverno, acabar os dias sem o amor da sua vida, rodeada por um mundo que a não compreende e rejeita, e que ela própria despreza...

Como diria Marguerite Duras, é o fim do mundo inteiro...

Nota I: clicar na imagem para ampliar.

Nota II: a foto diz respeito ao livro de Sílvia Espírito Santo, intitulado "Cecília Supico Pinto: O Rosto do Movimento Nacional Feminino". Acabou de ver a luz do dia a 12 de Fevereiro de 2007.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Das coisas frágeis.


Hoje, aqui na biblioteca, abri um velho formulário de processo civil, para “tirar dúvidas”. A edição, amarelecida, é da velhinha Livraria Ferin, ano de 1970 ( e parece que foi ontem…).

Na primeira folha deparo-me com um carimbo, a tinta azul, no qual se pode ler:



RITA MARIA
ADVOGADA
Prédio S. GI – 2º Nº4
Telefone 23121
Lourenço Marques



E dou por mim a pensar no que será feito da Rita Maria, que conheceu a bela Lourenço Marques que amigos meus, padres franciscanos, que lá viveram uma vida, assim a descreveram, construída que foi pelos portugueses com espírito de aventura e paixão.

Fico com um aperto no coração. Quão frágeis são as nossas vidas, os nossos planos, os nossos livros, os nossos escritórios, a nossa papelada…

Há-de vir sempre alguém, depois de nós, que, de sobrolho levemente carregado, se interroga acerca de uma assinatura aposta num livro, um carimbo com o nosso nome, a nossa actividade, o nosso endereço onde provavelmente fomos felizes, mas que já não existe…


Seremos sempre um mistério para esse alguém. Menos para Deus, que nos conhece e sabe onde estamos…




Nota: Imagem de Lourenço Marques: Mouzinho, a Catedral, o edifício da Câmara.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Tempo de recolhimento.



Hoje, Quarta-feira de Cinzas, vamos receber, na Igreja, uma cruz feita precisamente de cinzas, a lembrar-nos que somos apenas um pouco de pó e que aquilo que verdadeiramente interessa é a Alma, o nosso Espírito, que deve estar sempre voltado para o Senhor.

Começamos, a partir desta quarta-feira, a viver o Mistério Pascal, a Paixão Morte e Ressurreição de Jesus.

E ainda ontem foi Natal! Como o tempo corre veloz!

O ritual da imposição das cinzas desperta-nos para a necessidade da nossa conversão:
"Convertei-vos e crede no Evangelho"; "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás"…

De facto, a nossa vida é tão frágil…. tão breve para conseguirmos realizar tudo aquilo que desejamos!

Resta-nos fazer dos nossos dias um meio de purificação da nossa Alma, para que um dia Deus não nos rejeite.

E não podemos adiar este desejo de santidade: como nos alertou São Paulo, "o dia do Senhor chega de noite como um ladrão" (1Ts 5,2).

Esta verdade deve vincar a nossa espiritualidade cristã:

“Não durmamos, pois, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios" (1Ts 5,6).





Nota: Quadro de Adolfo Hyla, oferecido como voto de acção de graças; exposto na Igreja Paroquial do Divino Coração em Wroclaw.

“O Meu olhar, nesta imagem, é o mesmo que Eu tinha na cruz”
(Diário de Santa Faustina, 326).


“Hoje vi a glória de Deus que desce da Imagem. Muitas almas recebem graças, embora não falem sobre elas em voz alta. Embora diversas sejam as suas vicissitudes, Deus recebe glória por ela, e os esforços do demónio e das pessoas más desmoronam e transformam-se em nada. Apesar da maldade do demónio, a misericórdia divina triunfará no mundo inteiro e será venerada por todas as almas” (Diário, 1789).

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"Novus Ordo Missae" ou "Missa Latina Tridentina"


Finalmente que o Vaticano parece reconhecer o facto de que receber a Comunhão na mão enfraquece a devoção diante do Santíssimo.

O Arcebispo Albert Malcolm Ranjith, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, alertou para o facto de os fiéis receberem a Comunhão na mão provoca "um crescente enfraquecimento de uma conduta devota diante do Santíssimo Sacramento".


Na sua opinião, a Igreja deveria reconsiderar a permissão para recebê-la desta forma.

Dom Ranjith sublinhou que a prática de receber a comunhão na mão foi "introduzida de maneira abusiva e precipitada"

Nunca o Concílio Vaticano II legitimou esta prática.

Em que ficamos?

Analisando a inovação do "Novus Ordo Missae", qual seja, a da Comunhão na mão, tal configurará um gesto desrespeitoso para com a Sagrada Eucaristia?

Tal poderá significar um acto sacrilego?

Nós, simples crentes, estamos confusos.


Quem, dentro da Igreja, nos iluminará?



Voltaremos a este tema.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A doçura de Jesus.


"Inclinai os vossos ouvidos e atendei-me Senhor!"



O Evangelho de hoje é extraordinariamente comovente.

Jesus compadeceu-se daquele pai desesperado pela morte da sua filha. E daquela pobre mulher sofredora, que “sabia” que lhe bastava tocar Jesus para ficar curada.

De facto, no Evangelho de hoje ressalta toda a sensibilidade de Jesus, toda a Sua ternura e amor por nós que, de algum modo, sofremos.

Na intimidade da Igreja de Santo António, ao ouvir a bela homilia do meu querido amigo Frei Quintã, as lágrimas foram a Verdade a encher-me o coração...




Nota: Pintura existente na Basílica Ortodoxa Hagia Sophia de Istambul -1280.

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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Nossa Senhora das Candeias - mais um ano na Sua Luz...


No dia de hoje, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora das Candeias, e o percurso d’Esta com o Seu Menino até ao Templo.

Jesus, apresentado a Deus no templo de Jerusalém, representa a Luz que afastou as trevas do mundo e oferece aos homens a fonte da verdadeira Alegria e única Esperança.

Nos nossos dias, a comunidade dos Crentes faz uma pequena procissão no interior das Igrejas, levando na mão velas acesas…


Tenho, há vários anos (desde 1995), um papelinho, obviamente já amarelecido, escrito por mim, acerca do dia 2 de Fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Papelinho esse retirado dessas agendas “filofax”, e que tem transitado de agenda em agenda, com o decorrer dos anos. São as “memórias” que transpus para o papel de uma Missa celebrada no dia 2 do mês de Fevereiro do referido ano, ali na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, ao Chiado.

Gostava de ouvir aquele padre, já velhinho mas cheio de vigor, que ao tempo ali se encontrava. Não recordo o seu nome. Sei que ele, na Missa das 19H, fazia sempre uma introdução ao Santo do dia e salientava os principais aspectos da sua vida. Era um tempo em que eu procurava esquecer as agruras da vida e tentava mergulhar na paz de Jesus, a qual, como sabemos, nada tem a ver com a lógica dos homens e com o seu violento quotidiano.

Ora, este dia, também denominado de Purificação de Nossa Senhora – Purificação da Santíssima Virgem e da Apresentação do Menino Jesus no Templo - faz-nos recordar a Lei mosaica: a mulher que tivesse um filho varão, primogénito, consagraria este a Deus. Para a mãe poder ficar com ele, para “resgatá-lo”, tinha de ir ao Templo fazer uma oferta. As pessoas pobres, como José e Maria, ofereciam rolas ou pombinhas. Também era necessário aguardar 4o dias, tempo necessário para a mulher ficar pura, após o parto. Com efeito, após ter o filho, a mulher daquele tempo era considerada “impura” durante aquele lapso de tempo. Na poesia cristã, imagina-se uma “procissão” de Nossa Senhora, levando o Menino Jesus ao Templo.

Em consonância com aquilo que Jesus afirmou – “ Eu sou a Luz do Mundo” - Nossa Senhora transportava essa mesma Luz do Mundo… Como hoje nós já não podemos levar o Menino Jesus ao colo (quem nos dera!...), transportamos uma vela, que significa essa mesma Luz de Jesus Cristo. Quando deixamos uma vela acesa na Igreja, tal significa que, embora não estejamos presentes fisicamente, estamos contudo presentes em espírito.

Prestamos assim homenagem a Deus, e reafirmamos a nossa Fé. Não é “beatice” – é, tão simplesmente, manifestação da nossa Fé.

A vela vai-se gastando… também a nossa vida vai-se consumindo para as coisas deste mundo, e tendemos para as coisas do Espírito, para Deus.


Vamos mergulhando no essencial, no Mistério que cerca os nossos dias…
Nota: a imagem - Nossa Senhora com o Menino - Séx. XVIII.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Parafraseando..."Não Apaguem a Memória!"


Por amável convite da minha amiga K., deslocar-me-ei hoje à "Sala do Arquivo" - Paços do Concelho da Câmara Municipal deLisboa, a fim de assistir ao lançamento do livro " 1908 - Um olhar sobre o Regicídio" , da historiadora Margarida Magalhães Ramalho.


Ainda vamos dar uns vivas ao Rei e à Monarquia no antro do inimigo!





Adenda: Estive na apresentação do livro, e tive o prazer de rever a minha amiga K., mais o seu "mais-que-tudo". Mais bela (e mais magra...) que nunca...

A apresentação do livro ficou a cargo do Professor António Pedro Vicente, que nos levou a viajar pelo mundo da História. Ele e a Autora, Margarida Magalhães Ramalho, deixar-me-iam ali horas "perdidas" a ouvi-los... Que mundos que tantas vezes nos escapam, e que, todavia, são o sal que dá sabor à vida quotidiana...

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