Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

domingo, 4 de novembro de 2012

A dor das palavras




Nesta noite a chuva cai que Deus a dá (expressão tão antiga e tão bela, de um Tempo em que esta Nação, hoje dilacerada, era una na Fé e crente no seu glorioso Destino), fecundando a terra deste Alentejo que constitui o meu refúgio da grande cidade fria e desumanizada.
 
Apesar dos embates da vida, não obstante algumas conquistas pessoais, o saldo é francamente negativo, considerando que os homens, como dizia Sartre, são o lobo que os ataca e devora.
 
Não obstante tantas lutas e desilusões, nunca pensei voltar a ler poesia, apesar desta ser um mágico modo de interpretar o Mundo,  bem como interpretarmos os nossos próprios sentimentos mais profundos.
 
Diria que é um "luxo" podermos sonhar com a poesia, mesmo que as suas palavras nos magoem, nos dilacerem pela sua intensa verdade.
 
Apesar de tudo, como nos diz Maria do Rosário Pedreira, "A vida nunca foi só inverno, nunca foi só bruma e desamparo" ("Poesia Reunida", 2012, Ed. Quetzal).
 
 

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Poesia é a nossa Alma a gritar... II







Dei-te o meu corpo como quem estende
um mapa antes da viagem, para que nele
descobrisses ilhas e paraísos e aí pousasses
os dedos devagar, como fazem as aves
quando encontram o verão. Se me tivesses
 
tocado, ter-me-ia desmanchado nos teus braços
como uma escarpa pronta a desabar, ou
urna cidade do litoral a definhar nas ondas.
 
Mas, afinal, foste tu que desenhaste mapas
nas minhas mãos - tristes geografias,
labirintos de razões improváveis, tão curtas
linhas que a minha vida não teve tempo
senão para pressentir-se. Por isso, guardo
 
dos teus gestos apenas conjecturas, sombras,
muros e regressos - nem sequer feridas
ou ruínas. E, ainda assim, sem eu saber porquê,
as ondas ameaçam o lago dos meus olhos.
 
 
Maria do Rosário Pedreira, in "Poesia Reunida", Quetzal.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Às Trindades


No pequeno oásis da Praça de Londres,
às Trindades,

sob a sombra protectora das árvores sinto mais que nunca a tua ausência.

Neste espaço milagrosamente perfeito
(opus do Estado Novo)


onde harmoniosamente se conjuga a Natureza e a pedra trabalhada pelo Homem
vejo as horas escorrerem-me das mãos sem ter a tua doce companhia.

Esta hora também é divina devido a esta luz que parece incendiar o coração.

Tão diferente do fim do dia
em que a Poesia me desaparece misteriosamente do corpo e da alma.

Porquê?

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domingo, 30 de janeiro de 2011

SMILLA


Adicionar vídeo
" (...) só é posível enfrentar o desânimo, a dissolução e a destruição que nos cercam por todos os lados quando se entende que esse espaço privado tem de estar submetido à disciplina mais drástica".

Peter Høeg, "Smilla e os Mistérios da Neve" Edit. Asa, fls. 285.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A vida é como um romance II

"No Verão, todos os dias me sentava na varanda a ver passar o tempo. E todos os dias o tempo passava. Todos os dias via passar o tempo e o tempo passava sem me ver. Era assim que eu passava o tempo. Depois, descobri que não via passar o tempo, era o tempo que passava por mim e que a vida era apenas um frágil passatempo. (...). Aprendi que não posso ficar na varanda a ver passar o tempo ou vendo o tempo passar por mim. Eu tenho de cavalgar a eternidade das milésimas de segundo e morrer não de desgaste mas na exaustão de uma vida vivida. Ficar na varanda é não tomar decisões. E não agir é uma perda de tempo. É esperar que esse mesmo tempo cumpra a profecia bíblica de nos fazer regressar ao pó. Cabe-nos não morrer em vida. Não morrer antes do corpo."

João Morgado, "Diário dos infiéis", Oficina do Livro, Junho de 2010. Com a devida vénia.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A vida é como um romance I


"havia um rio a separar as nossas margens. Um rio que cresceu, se alargou na foz e se transformou num mar imenso de silêncios. O mesmo jogo de silêncios que vi no casamento dos meus pais e que me ensinou a crescer sufocando as palavras."


João Morgado, "Diário dos infiéis", Oficina do Livro, Junho de 2010.

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