Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

domingo, 6 de novembro de 2011

A dor da ausência...



"Muitos de nós estamos submetidos a uma sombra, re­clusos no jardim do seu pai, no quarto da sua mãe, pros­seguindo até ao ocaso da vida as súplicas a um ausente. E a razão secreta do que perseguimos, mesmo parecendo muito resolvidos e livres, é ainda um confronto, um ajuste de contas (...)."






José Tolentino de Mendonça, "Pai-Nosso que estais na Terra", Ed. Paulinas, Out 2011.



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domingo, 8 de agosto de 2010

Da Guerra do Ultramar - "O Último Ano em Luanda".


O mês de Agosto serve, entre outras coisas, para tentar pôr a leitura (inclusive Direito...) em dia: missão impossível...

No verão passado li toda a obra publicada de Tiago Rebelo, à excepção do penúltimo livro dele ("O Último Ano em Luanda"), que estou a acabar, e o último - "O Homem que sonhava ser Hitler" - e que vai seguir-se...


Ler Tiago Rebelo é como abrir um jornal diário e sofrer a fundo com as notícias que ali estão perante os nossos olhos - experimentem mergulhar no seu "O Tempo dos Amores Perfeitos" e este "O Último Ano..." e verão...

Deste "O Último Ano em Luanda" tenho o livro todo rabiscado, sublinhado, enfim... e sofro e revolto-me com os traidores do MFA, e poltrões como Mário Soares e Almeida Santos, que venderam o nosso Império, a nossa Nação pluricontinental aos soviéticos, aos cubanos...


Respigo, com a devida vénia, o seguinte trecho, o qual reflecte a realidade histórica que tem sido sonegada ao povo português, o qual, de resto, tem andado a dormir nos últimos trinta e seis anos...


“O tenente Macário tornou a sentar-se à frente de Nuno e continuou a conversar enquanto se ouvia o som surdo do vácuo, das granadas a serem cuspidas dos tubos dos morteiros - tum.,_ tum... tum…seguido das explosões ao longe.

- Há quatro anos que aturo esta merda - disse o militar, deixando escapar um suspiro ruidoso. - Houve alturas em que mal conseguíamos respirar. Era um arraial de porrada todos os dias. Os turras não nos davam um minuto de descanso. Isto? - Esticou o dedo a apontar para onde caíam os morteiros. - Esta merda? Isto não é nada - varreu o ar com um gesto de desprezo. - Você havia de estar cá quando os cabrões nos atacavam, aqui há quatro anos. Isso é que era a sério. Eles atacavam-nos, nós íamos atrás deles, dávamos cabo dos gajos e, no dia seguinte, já estavam de volta a bater-nos à porta. Era uma loucura. Por mais que os enchêssemos de chumbo, os gajos não aprendiam, voltavam sempre, uma vez, outra vez, e outra, e outra, e outra... - Abanou a cabeça, como se ainda lhe custasse a crer. - Incrível! Estes pretos parecem os chinocas do Vietname. O que me lixa é que tivemos treze anos desta merda, treze anos a darmos o couro por esta terra, a passarmos as passas do Algarve, a morrermos ou a ficarmos estropiados. Porra! Você não imagina a quantidade de gajos que eu vi saírem daqui completamente passados dos cornos, não diziam coisa com coisa. E para quê? Diga-me. Porque carga de água é que andámos treze anos a lutar? A resposta é simples: porque já cá estamos há cinco séculos. Que diabo, cinco séculos não são cinco dias!
Nuno abanou a cabeça, concordante, cinco séculos não eram cinco dias, de todo. Ao lado, ouviam-se os morteiros a disparar, tum... tum... tum.., e, ao fundo, as explosões. O tenente prosseguiu na sua diatribe, sem se interessar pelo desenrolar do combate.
- O que eu quero dizer é que, se nós estamos em África há quinhentos anos, como é que os pretos nos vêm dizer que isto é tudo deles? E alguns deles só falam francês, os cabrões da FNLA só sabem falar francês! Estamos a brincar? Nós - bateu com a palma da mão no peito - também temos pretos. Olhe, aqui - apontou para o lado. - Temos pretos a dar com um pau, a lutarem ao nosso lado. E eu não trocava um deles por dez desses merdosos do MFA que fizeram a revolução e que querem entregar Angola ao inimigo. Então estivemos nós anos, séculos!, a conquistar esta terra, a construir cidades, a tirar os selvagens da ignorância, e, de repente, vêm-nos dizer que somos uns sacanas de uns exploradores e que temos de largar esta merda toda e voltar para casa?. Agora que tínhamos a guerra ganha, entregamos o ouro ao bandido e vamos à vida?! Puta que os pariu a todos.
- De acordo disse Nuno, só porque achou que devia dizer qualquer coisa. - O que os portugueses fizeram por este país foi...
- A revolução, a democracia, está tudo muito bem - continuou o tenente, embalado na dissertação, ignorando-o.
Eu também concordo com a democracia, mas não é a democracia dos comunas, que querem oferecer Angola aos cabrões dos russos - disse. E a morteirada continuava numa cadência regular, tum... tum.., tum... - Ou você pensa que isto vai ser para os pretos? O tanas, é que vai. Uma terra a nadar em petróleo, rica em diamantes?! Não - abanou um indicador assertivo. - Nem pensar! Vai ser só troca por troca. Saem uns colonialistas, entram os outros. Somos nós a sair e os russos a entrar. -

Pôs-se de pé, agarrou as calças pela cintura, puxou-as para cima, a compor a farda. - Puta que os pariu - rosnou. Voltou-se para a direita, gritou: - Sargento! Já chega dessa merda!
Os morteiros cessaram e o silêncio impôs-se.”


(são nossas as letras a bold)

Tiago Rebelo, "O Último Ano em Luanda", Editorial Presença, fls. 177-178.



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domingo, 1 de agosto de 2010

A Vida é a arte do desencontro.




"Havia um óbvio conflito de interesses entre os dois sexos, uma visão inconciliável. Eles desejavam-nas, a todas, por uma noite; elas desejavam-nos, só um e só se fosse para a vida inteira."


Bem... esta afirmação não é da... Margarida Rebelo Pinto! É do Tiago Rebelo ("és o meu Segredo", Editorial Presença, fls.118).


Parece que afinal a vida é a arte do desencontro...

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domingo, 11 de julho de 2010

Do amor

"Sempre quis estar bonita para ti. É um cliché velho e gasto? Não, é uma regra do eterno feminino; as mulheres gostam de se pôr bonitas para o homem que amam, para serem para sempre amadas por ele"


Margarida Rebelo Pinto, " Diário da tua ausência", Oficina do Livro, fls. 72-73.

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domingo, 27 de junho de 2010

Nenhum "Político" nem "PEC's" nos podem tirar o Sol e o nosso Atlântico.

"Portugal é a minha terra e Lisboa a minha casa. E quando acordo de manhã e abraço o rio, sinto uma paz merecida, a tranquilidade daqueles que aprenderam a viver com os seus medos e dou graças à vida por me ter mostrado o lugar onde pertenço. Demorei muito tempo a perceber onde me sentia feliz. Não parei de correr por cansaço ou por não saber que direcção seguir. Acredito que de uma forma natural e inequívoca, fui descobrindo que era aqui que era feliz, que preciso de sol para viver em paz e da respiração do Atlântico para me sentir completa, plena. "


Margarida Rebelo Pinto, "Diário da tua ausência", Oficina do Livro, fls.25.

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