Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Belém e a sua Mensagem.


O Evangelho de São Lucas (2/ 1- 20) relata-nos o nascimento de Jesus em Belém, num humilde estábulo. Regista, para que as gerações vindouras o saibam, o anúncio, pelos Anjos, aos pastores, e a vinda destes a Belém para aí verem Jesus.

São Lucas faz passar esta mensagem: é a Boa-Nova do nascimento do Salvador, anunciada pelos Anjos, os mensageiros de Deus, a qual foi transmitida, em primeiro lugar, aos mais pobres, aos nómadas daquele tempo, aos marginalizados de há dois mil anos.

Dois Mil Anos! Quando Jesus percorria a Galileia, exortando os homens à fraternidade, ao amor!


Quanta poeira desde então passada! Que bom seria podermos, nos dias de hoje, ir também ao Seu encontro, nestas cidades de betão, vazias de tolerância e de ternura e sermos salvos, podermos alcançar as mãos de Cristo! Talvez à beira de um qualquer lago Tiberíades deste nosso tempo…Podermos dizer sem hesitação: Sim, vou!

Hoje, aos homens e mulheres com um coração bom, este Acontecimento, sempre renovado, no Espírito e no simples calendário humano, deixa-os tão comovidos!

Quem me dera que fosse sempre Natal! Para sentir o calor, a alegria que se respira nas Igrejas…como a de Santo António à Sé, plantada num dos mais belos locais de Lisboa, onde se penetra noutra dimensão; como se o Tempo de súbito parasse, a História se erguesse e tomasse conta de nós, homens desta cidade moderna e sem alma.


A Missa das 19 Horas é a minha preferida. O Mistério tem lugar com um número reduzido de fiéis. É uma pequena Família ali reunida em nome d’Aquele que amamos, Aquele que nos provoca este tremor interior, esta tremura que eu próprio sinto enquanto alinhavo estas letras…O Frei José Marques com a sua intrínseca bondade, a sua teologia do Amor e do Perdão: afirma ele, bastas vezes, que Deus é Amor e não quer a perdição do pecador mas sim a sua salvação: Deus não condena ninguém. Muitas vezes é o próprio homem que O rejeita!

O Frei Armindo de Jesus encanta-nos com o seu jeito muito franciscano, com a sua voz que se torna incrivelmente doce quando nos fala do pai São Francisco e do amor à Mãe de Jesus. Na sua voz emergem todas as paisagens que ele viu além-mar…

O Frei Álvaro Silva, todo ele dogmático, dá-nos lições maravilhosas acerca do Mistério que ali celebramos.
O Frei Aquiles, que amanhã festeja, como o Menino Jesus, o seu aniversário (abençoados 86 anos!) quando concelebra, empresta, com o seu ar grave e digno, a devida solenidade ao Mistério!

Do Natal o que poderemos dizer? As nossas preocupações devem centrar-se no seu mistério, que traduz a vinda ao mundo do Verbo Divino incarnado para salvação de todos. Rigorosamente, o momento da entrada do Filho de Deus na História dos homens deu-se com o SIM dito pela Virgem Maria aquando da Anunciação, que a Igreja celebra a 25 de Março, nove meses antes do Natal; e a sua apresentação oficial ao povo de Deus fez-se por altura da Circuncisão, quando lhe foi dado o nome de Jesus.

O Natal celebra a Encarnação do Filho de Deus, que assume a condição humana nascendo na História, dando início à grande aventura e ventura da redenção da humanidade. Jesus nasce de Maria, amparada por São José, formando com eles um lar. Uma família pobre, mas extraordinariamente iluminada pela presença do próprio Filho de Deus.

O Natal não é só uma recordação de um facto histórico. O Natal é a memória de um Mistério, cujo centro é a morte e ressurreição de Jesus Cristo.


Hoje o paganismo quer mudar o sentido do Natal. Cabe aos cristãos insistir, com criatividade, em proclamar por todos os meios possíveis o verdadeiro Natal. E num mundo confuso e cheio de contradições, de dores e angústias, aprendemos, sempre de novo, os critérios do mundo novo trazido por Jesus, que contradiz o que se apregoa por aí sobre o Natal.

Como disse o saudoso João Paulo II, “O Natal é acontecimento de luz, é a festa da luz: no Menino de Belém, a luz primordial volta a resplandecer no céu da humanidade e dissipa as nuvens do pecado. O fulgor do triunfo definitivo de Deus aparece no horizonte da história para propor aos homens em caminho um novo futuro de esperança.”


Hoje à noite, as famílias reúnem-se nas suas casas, para a chamada ceia de Natal. Penso que por vezes se pode esquecer o motivo central desta reunião. Fundamentalmente, as famílias reúnem-se nas suas casas para recordar, em conjunto, este acontecimento único na Historia da Humanidade.

Depois da missa do Galo, onde se celebra o nascimento de Jesus Cristo, e alguns momentos antes da ceia de Natal e da abertura dos presentes, deveremos meditar na razão pela qual estamos reunidos. Esse será o melhor presente que poderemos dar aos outros, a nós mesmos e, claro, a Jesus Cristo e à Sua Mãe, Maria Santíssima, a qual, com o Seu “Fiat”, abriu caminho para que o Homem jamais se perca, pesem embora as forças das Trevas presentes no Mundo. Mas, como Ela própria o disse, o Seu Imaculado Coração, por fim, triunfará!

A todos os meus amigos, e àqueles que têm a paciência de aqui me lerem, votos de um Santo Natal. Que a Luz de Deus esteja convosco!
Nota: a pintura é de Benvenuto Tisi (Il Garofalo) -1481-1559; intitula-se " La Vierge en majesté et l'Enfant entourés des saints".
Estes são, da esquerda para a direita, São Guilherme de Aquitânia, Santa Clara, Santo António e São Francisco de Assis.

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