Dies Domini

Sartre escolheu o absurdo, o nada e eu escolhi o Mistério - Jean Guitton

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Localização: Lisboa, Reino Portugal Padroeira: Nª Srª Conceição, Portugal

Monárquico e Católico. intransigente defensor do papel interventor do Estado na sociedade. Adversário dos anticlericais saudosos da I República, e de "alternativos" defensores de teses “fracturantes”. Considera que é tempo, nesta terra de Santa Maria, de quebrar as amarras do ateísmo do positivismo e do cientismo substitutivo da Religião. Monárquico, pois não aliena a ninguém as suas convicções. Aliás, Portugal construiu a sua extraordinária História à sombra da Monarquia. Admira, sem complexos, a obra de fomento do Estado Novo. Lamenta a perda do Império, tal como ocorreu.

sexta-feira, 14 de março de 2008

As fontes da nossa memória II

Deve ser a crise que ataca todos os homens, sei lá!

Dá-me para mergulhar nas minhas memórias dolorosas, sem proveito algum, pois a vida é o que sabemos, dura, impiedosa e… breve. Breve para tantos problemas insolúveis que nós próprios vamos criando.


Por causa do "Le Cadeau d'Elena", aqui deixo mais um texto precisamente sobre a memória…


Lembro-me das viagens de comboio, nas "férias grandes" (de carro não tinha "graça"), na linha da Beira-Baixa, e como Portugal, nessa época, fervilhava de gente, energia e vida! Portugal, nesse tempo de meninice, era uma azáfama!


O som da máquina a vapor embalava-nos, e a sua suave lentidão permitia-nos ver a paisagem, bela, a linha junto ao rio, as estações da CP lindas lindas (hoje abandonadas e destruídas!).


Recordo os instantes junto ao rio, o qual oferecia o seu cheiro inconfundível, e que ainda hoje recordo, um cheiro fresco, o fundo transparente das margens, as pedras claras jazendo no leito do rio, as mágicas manhãs da minha infância!


Hoje um velho barco dorme na margem, atracado na relva. Talvez ele tenha pertencido ao velho barqueiro que conheci ainda miúdo. Na minha memória vejo o seu rosto, pertença de outros tempos, outras memórias, os olhos muito azuis, reflectindo o brilho do rio, o qual ligava dois mundos, duas margens, com a força dos seus braços e do seu varapau a bater nas rochas do fundo do Tejo. Ainda oiço o som desse varapau a roçar no fundo baixinho do rio...
Já não existe o antigo carreiro que descia da Estação de Alvega-Ortiga até às variáveis margens do Tejo...


É uma pena este Portugal estar tão abandonado, como que morto... Aqui ao lado, na Espanha, a vida é uma festa: mesmo nas localidades mais perdidas na paisagem, ao fim do dia parece que as pessoas ressuscitam para um louvor à Vida e ao prazer de viver... Mas Portugal, tão belo e diversificado nas suas paisagens, parece mergulhado num sono letárgico, um torpor do qual não se consegue libertar... Ao caminharmos ao longo do rio, ver este a dormir entre as suas margens é ver o nosso País a caminhar docemente para o esquecimento de si próprio.



Onde estará o País que eu conheci? Onde mora ele?



Nota: na foto, o velho barco, tal qual como há 40 anos.

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2 Comments:

Blogger Cleopatra said...

Bonito e bem escrito.
Saudades de tempos que continuam presentes apesar de tudo.

Saudades sim.

sábado, março 15, 2008  
Blogger Cabral-Mendes said...

Amiga generosa...

saudades sim...

domingo, março 16, 2008  

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