Tudo ao abandono.

O peito dele subia e descia, a respiração um pouco acelerada, movimentos da mão porventura inconscientes a ajeitar o lençol da cama. E a minha mulher, sem dar conta de que eu ali estava há já uns bons cinco minutos, a agarrar-lhe a mão… creio que estava a rezar… fiquei ali quieto, sem saber se deveria ir-me embora. Se o tivesse feito, ninguém saberia que eu ali tinha estado…
Saí convencido de que nunca mais o verei a tratar do seu jardim, na província. Hoje tudo ao abandono, a secar com este sol…
Como ele.
Lembra-me, o seu rosto, o meu querido e muito amado avô João. Magro, sofrido.
A vida só se repete nas coisas más…
Etiquetas: Estados de Alma
2 Comments:
"A vida só se repete nas coisas más…" é uma asserção injusta, que só compreendo (com imensa ternura) devido ao tanto que sofre e ao estado de fragilidade emocional temporária que o assola.
Meu Amigo..., num vídeo do YT do Jô Soares, ele conta que recebeu por e-mail várias definições do que é o Amor por crianças bem pequenas e que uma delas explicou:
"Jesus podia ter dito palavras mágicas para os pregos caírem do crucifixo, mas Ele não disse e isso é Amor!"
Para quem Crê, só mesmo o cansaço explica esse desânimo...
:)
Forte abraço!
Bjinho!
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